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O FMI volta à Argentina

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O presidente da Argentina, Mauricio Macri, está confiante: o FMI voltou à Argentina.

Um leitor brasileiro mais apressado ficaria com a impressão de que Macri enlouqueceu. Como assim, confiante? Quem pode celebrar uma coisa dessas? Nos anos 80 e 90 fomos diversas vezes ao FMI, sempre de pires na mão, em busca de misericordiosa ajuda para superar nossa desorganização terceiro-mundista. Em algumas dessas vezes, fomos recebidos; em outras, nem isso. Ir ao FMI, sabemos todos, é sinal de fracasso econômico. Macri deve estar brincando.

A este leitor pedimos uma leitura mais calma: não foi a Argentina quem dirigiu-se ao FMI; foi o FMI quem, mui gentilmente, viajou a esta parte do mundo para uma visita. E uma visita com objetivos muito claros: revisar os fundamentos da economia argentina, analisar a confiabilidade dos novos dados e propor algumas soluções para os problemas que restam.

“Nesta semana, depois de mais de 10 anos, a Argentina recebe uma missão do FMI, para cumprir com o artigo IV, como ocorre em qualquer país normal. Queremos voltar a ser parte do mundo, acabando assim com o isolamento”, disse Macri em Nova York. Está, realmente, muito confiante. A Argentina, finalmente livre do peronismo, pode voltar a fazer negócios com o mundo todo, num ambiente seguro e sem amarras.

Mas isso não será fácil. O economista Arnaldo Bocco, crítico do governo Macri, comparou as exigências do FMI com regras de etiqueta: “O Fundo é a expressão da direita no sistema financeiro, um defensor do discurso da ordem econômica. É como um daqueles velhos clubes da elite, que exigiam terno e gravata na entrada. Quem não veste a rigor, usa roupa emprestada, mesmo caindo mal”. 

O FMI veio para a América do Sul com um roupas sem dúvida finas, de bom gosto, mas muito bem ajustadas. Caberá à Argentina de Macri emagrecer para usá-las como se deve. Afinal, não se pode desapontar uma visita tão ilustre.

 

Discussão

Um comentário sobre “O FMI volta à Argentina

  1. Nem o brasileiro mais empedernido, engenhoso e ultra-nacionalista f….ia com a Argentina que nem o FMI nos anos 90.

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    Publicado por Diogo Terra | 27 de setembro de 2016, 10:57

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