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Política

Entrevista: Sérgio Weigert e Maria Rita de Assis Brasil. “Essa geração é uma geração de militantes – e que, de alguma maneira, continua militante”

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Sérgio Weigert e Maria Rita de Assis Brasil

 

por Celso Augusto Uequed Pitol

 

Hoje, dia 24, às 19 horas, será lançado o livro “Marxismo e Modernidade”, coletânea de ensaios de Sérgio Weigert, na Livraria Bamboletras.  O subtítulo da seleção feita por Salo de Carvalho e Mariana de Assis Brasil e Weigert, indica seu conteúdo: “Ensaios críticos sobre utopia e emancipação”. No site da editora, a sinopse sinaliza uma declaração de intenções: “O intuito da obra é o de contribuir com o vasto e qualificado instrumental teórico de resistência que a academia tem produzido, ontem e (ainda) hoje. Mas o que se pretende, também, é tirar das gavetas e apresentar o pensamento solidamente crítico de Sergio Weigert, a fim de que o pó se dissipe com o autoritarismo, o fascismo e a burocracia nossa de cada dia”.Na capa, o rosto sorridente de Sérgio Weigert saúda o leitor, prestes a ser apresentado ao seu pensamento.

Foi este rosto que conheci ano passado, em uma conversa numa tarde fria de julho, no seu apartamento. Havia chegado ao nome dele através de meus pais, ex-companheiros do Setor Jovem do Movimento Democrático Brasileiro, que haviam indicado o Sérgio e sua ex-exposa, Maria Rita, como participantes ativos daquele período de resistência à ditadura. Estava em busca, naquele momento, de nomes próximos aos Setor Jovem do qual faziam parte, o de Canoas (Sérgio e Maria Rita eram de Santa Maria), tema do estudo que eu começava a desenvolver.

Como não os conhecia, pedi mais algumas informações para minhas fontes. De onde vinham? Onde viviam? Eram casados? As fontes informaram que eram de Santa Maria, da chamada “turma de Santa Maria” do Setor Jovem do MDB. Ela era médica, e ele jornalista; ela, sabiam, morava em Porto Alegre: era contato de Facebook do pai; quanto a ele, a última informação disponível era a de que havia ido para Santa Catarina dar aulas. E sim, haviam sido casados. E eram militantes – e militantes de primeira linha, enfatizaram os dois.

Depois surgiu o problema: onde encontra-los? A Maria Rita estava a um clique do mouse. Do Sérgio, nenhuma notícia.  Recorri ao oráculo Google: escrevi entre aspas, sem aspas, testei outras ortografias, mas não houve resposta. Havia uma ou outra menção de anos e até décadas anteriores,como um excelente artigo sobre Saramago publicado em uma revista acadêmica da PUCRS. Das atuais, nada.

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Através de alguns contatos paralelos, cheguei ao nome do filho de Weigert, Fernando. Contatei-o e expliquei quais eram os meus objetivos. Ele, muito gentilmente, prontificou-se a organizou o encontro no apartamento do meu entrevistado, ocupando-se também de convocar a Maria Rita para a conversa.

Fui recebido naquela tarde gelada, acompanhado pelo pai, disposto a rever o amigo, e munido de minha câmera de gravação e do meu bloco de anotações. Quando chegamos, estava o Sérgio sentado na sala, com o Fernando ao lado. A pequena sala do apartamento, um retângulo onde um dos lados, a janela, recebe toda a luz do sol à tarde, é cercada pela biblioteca de Weigert. À esquerda, uma estante baixa de livros, que eu prontamente vasculhei com o olhar enquanto o pai conversava com o amigo: uma edição antiga da “História da Revolução Russa”, de Trotsky, com o título em letras vermelhas e a capa acinzentada, chamou a minha atenção. Estava ladeada por vários clássicos do marxismo. Na prateleira atrás de onde estávamos sentados, uma longa coleção de José Saramago. Havia, é claro, muito mais, mas segurei meu ímpeto natural de perscrutar as bibliotecas dos outros sem pedir autorização. Afinal de contas, estava ali para trabalhar.

Logo em seguida, após um café preparado pelo Fernando, chegou a Maria Rita. Após mais alguns minutos de reminiscências emedebistas entre os três ex-militantes, acompanhadas das tradicionais perguntas sobre o que cada um estava fazendo da vida e regadas pelo café do Fernando, demos início à conversa.

Os anos portoalegrenses de Maria Rita, moradora da capital gaúcha há várias décadas, parecem ter deixado marcas no sotaque: não percebemos nela os “ls” à castelhana nem os “ts” e “ds” duros da pronúncia pampeana de Weigert. Mas ela não deixa de ressaltar uma marca de identidade.

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“Eu estive em Santa Maria anteontem, visitando o ‘A Razão’ [tradicional jornal santamariense] e a guria que me atendeu não me conhecia. Então eu disse que era santamariense, mesmo não tendo nascido em Santa Maria. E ela me respondei que todo mundo em Santa Maria faz questão de dizer que é de lá, mas ninguém nasceu em lá (risos). E é verdade. Eu, por exemplo, nasci em Porto Alegre e só depois fui para lá, e hoje moro em Porto Alegre, mas toda a minha formação foi lá”.

É também o caso de Sérgio Weigert, natural de Restinga Seca e santamariense do ponto de vista “cultural”.

Maria Rita parece ter se acostumado esse trânsito de identidades desde cedo. Como toda filha de militares, passou por muitas cidades. E, como filha de militares, recorda-se de um momento decisivo para toda a sua geração: o do golpe de 1964. Suas memórias daquele momento são, paradoxalmente, as de quem vivia o cotidiano a favor dos militares.

 “Minhas lembranças [do golpe] são as do lado contrário. Meu pai estava fazendo a Escola do Estado Maior do Exército e morava na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. Eu tinha 10 anos e morávamos no edifício dos militares. Ali funcionava muita coisa do Ministério da Guerra. Então, lá pelo dia 31, eu vi os fuzileiros navais se movimentarem. Nos cantos, havia balas estocadas. Na televisão, o Carlos Lacerda falando……eis que os tanques chegam à Praia Vermelha. Imediatamente, todo mundo pôs os lenços brancos na sacada. Foi uma coisa muito marcante”

E, em meio a tantas reminiscências, Maria Rita informa um dado importante: “o golpe não foi dia 31 de março, e sim dia 1º de abril. Lembro bem”.  Uma lembrança que faz toda a diferença.

Poucos anos depois, em 1967, Maria Rita chega a Santa Maria, onde termina os estudos e ingressa na universidade Federal de Santa Maria, no curso de medicina. Sérgio estuda na mesma universidade – primeiro, como aluno de Administração, e depois no de Jornalismo. E é na universidade, onde fervilha a política estudantil, que tem início o engajamento político dos dois. Diz ela:

“O Cesar Schirmer [ex-deputado, ex-prefeito de Santa Maria, atual Secretário de Segurança do Rio Grande do Sul], bem novo, conhecia o Memo [apelido familiar de Adelmo Genro Filho] , era do DCE e convidou o Memo para ser secretário de uma chapa, e o Sérgio foi convidado para ser secretário exectuvo do DCE, e esse grupo se formou ao participar da organização do DCE, lá por 1973”.

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Sérgio toma a palavra e enfatiza o desenvolvimento individual da consciência política dos dois, livre de influências domésticas ou do meio: “Nós construímos tudo pessoalmente e numa determinada rota, um caminho ,por exemplo, que foi sendo feito , traçado por uma iniciativa nossa”.  

Uma figura se destaca na narrativa dos dois, em especial quando o tema “influências” vem à tona: a de Adelmo Genro Filho.  Tanto Maria Rita quanto Sérgio conviveram intensamente com o autor de “O Segredo da Pirâmide”, uma das principais lideranças da juventude emedebista daquela época.

 “Conheci o Memo”, diz Maria Rita, “ quando o Sérgio e ele entraram na faculdade e depois e entrei e aí que surgiu uma discussão, uma olhar frente ao mundo, o Memo teve muito de participação nessa construção, a gente tinha um olhar intuitivo, e o Memo sendo de uma familia de esquerda, ajudou a mudar isso”.

Maria Rita ressalta, entre muitos pontos importantes, a generosidade intelectual de Adelmo:

 O Adelmo era capaz de sentar aqui e ficar o dia inteiro falando, conversando, discutindo, escutando. A gente viveu muito assim na cidade.  E não só o Memo, que era um dos mais capazes, senao o mais capaz, e a capacidade dele de aglutinar, a nossa vida lá, gurizada, era tipo termina a aula na sexta-feira, a gene ia pra miha casa, eu morava ao lado da casa do estudante, passávamos o fim de semana enfiados, fazendo comida, bebendo, lendo poesia, discutindo, era um troço muito intenso, só parava domingo de noite, quando tinha aula na segunda.

 O ingresso no Setor Jovem do MDB vem na sequência e acompanha a tendência nacional de robustecimento da oposição brasileira. A partir da presidência de Ulysses Guimarães, iniciada em 1971, o MDB passou a atrair cada vez mais grupos ligados à esquerda e jovens militantes que, antes, não viam o partido como uma opção razoável para a atividade política. Maria Rita aponta que

Nós concluimos que alguns de nós estavam saindo da universidade, e que precisávamos de um outro espaço. Aí resolvermos militar no MDB. Constituimos o Setor Jovem do MDB, isso lá por 74 e 75. O Memo foi o primeiro presidente, e eu a vice.  O Memo era mais disciplinado, o Sérgio saia a viajar muito pelo estado inteiro, pra articular coisas do MDB jovem, e, como toda a esquerda, havia as diferenças. Era nós contra o Zezinho Oliveira, que depois entrou na Democracia Socialista do PT, e havia essas articulações internas com relação aos movimento de mulheres.

Sérgio pontua a importância do ingresso na política institucional para colocar as propostas de esquerda que defendiam:

Era a ideia de que era possível realizar alguma coisa pela esquerda ,estando inserido dentro do MDB. Essa era a ideia do Setor Jovem.

Não era algo simples de se fazer. A heterogeneidade característica do MDB, que incluia desde liberais clássicos até stalinistas, era um desafio para a consecução de qualquer programa conjunto. Sérgio enfatiza que o grupo “via a conexão com o resto do Setor Jovem como algo que a gente queria, mas não era algo que estava dado e que ia se realizar, e que não era fácil. Não era fácil. 

Era fruto daquele momento da universidade” – completa Maria Rita -” mas nós em Santa Maria participamos da organização do Setor Trabalhista, , tivemos até candidato, e do Setor Feminino, onde eu fui a surpresa. O Setor Feminino foi organizado com mulheres simples, das comunidades, e eu estava de férias na casa dos meus pais quando descobri que elas tinham me escolhido para ser candidata a vereadora. Então eu fui candidata a vereadora pelas mulheres do Setor Feminino. A  gente viu o canal de elegr alguém pelo jovem, que era o Memo, eu pelo feminino e o Gil pelo trabalhista. O Gil não se elegeu, eu e o Memo sim, em 1976”.

Eleita vereadora junto a Adelmo Genro Filho em 1976, Maria Rita permaneceu no cargo até 1982. Esta eleição foi um marco decisivo para o Setor Jovem do MDB ocupar finalmente um espaço institucional mais poderoso de combate à ditadura. E os dois não deixam de pontuar a relevância da articulação estadual entre os diferentes setores jovens.

Todos estávamos na mesma frente em 76”, diz Maria Rita” “ e nós passamos a ter mandados, nós tinhamos muita solidariedade entre nós, e tínhamos mais proximidade com o mandato do Celso Pitol, leia-se Canoas, com o Flavio Coswig em Pelotas…eu era a única vereadora, com 23 anos, o Cesar Schirmer foi com 21 anos.

“Aos poucos a gente começou a ter vínculo, até por causa do João Gilberto Lucas Coelho [deputado federal santamariense] e do César Schirmer”, completa ela.

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Os dois passaram a vir a Porto Alegre, onde, pelo menos uma vez por mês, nos sábados à tarde, o Setor Jovem do MDB reunia-se na Assembleia Legislativa. No mesmo local, ocorriam as palestras e reuniões do IEPES (Instituto de Estudos Políticos, Econômicos e Sociais), órgão do MDB destinado à formação política e à discussão teórica, responsável pela formação intelectual de muitos jovens políticos daquela geração. O instituto era presidido por André Forster.

Eu gostava muito do André”, lembra Maria Rita. “Ele foi padrinho de casamento do Memo – fomos nós dois, o André e outra pessoa – mas ele não era um militante, era um sociólogo. Ele tinha vínculo de assessoria no MDB e era a pessoa envolvida diretamente com o Setor Jovem, ele tinha uma liderança entre os jovens, mas ele nunca foi um militante. E ele era mais velho, não era muito, mas era mais velho. Mas ele cumpriu um papel muito importante. Eu me lembro daquele Primeiro Congresso do Movimento Estudantil e quem me lembrou isso um dia desses em campanha foi o Zé [José]Ivo Sartori, ele me contou que era o presidente do DCE na época, o Pedro Bisch presidente do DCE da UFRGS e nós, de Santa Maria, fomos. Eu já era casada com o Sérgio – e tinha vergonha de dizer que era casada (risos), naquela época achava dizer isso algo horrível – e as mulheres ficaram num lugar e os homens em outro. O Sérgio e o Cesar Schirmer, que eram os de Santa Maria, foram para um hotel em Caxias, e eu me lembro que eu clandestinaemnte fui dormir com o Sérgio no mesmo quarto – onde também estava o Schirmer! (risos) Imagina, bem coisa de estudante.Então, esses jovens deputados e os nossos lá de Santa Maria, como o João Gilberto Lucas Coelho e o Cezar Schirmer, em que pese a gente não fosse igual, eles tinham uma visão de esquerda – o João Gilberto mais ainda que o Cesar – então a gente começou logo essa militancia estadual.

Nesse momento, Fernando interrompe para fazer um relato comparativo:

Em 2008, eu fui do Movimento Estudantil. Para botar cinco pessoas numa sala com dispensa do professor era uma luta.

 Na minha epoca, ninguém era convocado, compara Maria Rita. “Todo mundo vinha porque gostava”.

 Quando eu participei, só iam porque o professor garantia a presença”.

“Na epoca em que eu estava na Universidade, fui a Petropolis, no Congresso de Estudantes de Medicina, e tinha 3000 pessoas. Hoje, o congresso de residencia reune pessoas dentro dessa sala”, Maria Rita conclui. Marcas de gerações distintas.

Sobre a relação do Setor Jovem com as lideranças do MDB “adulto”, os dois apontam que havia diferenças de vários tipos, mas que os deputados atuavam como “protetores” dos jovens, prontos para intervir quando as coisas passassem das medidas. E cita o caso particular de Pedro Simon:

Lembro do enterro do Jango que eu fui, eu estava do lado daquele que era do Partidão, que era preisdente do Setor Jovem estadual na época, eu tava do lado dele gritando “Liberdade, liberdade” e quando vi, havia uns caras com um jornal apontando pra ele,  e quando vi tiraram ele do meu lado assim. E  logo Simon pulou:  ali haviam ido pescar uns e outros, e aí o Simon foi atrás deles. E por isso a gente tinha bem claro: na hora a gente sabia quem era quem estava conosco. Até hoje, quando eu falo do Simon, que era senador até agora, ele teve um papel importante na luta contra a repressão

Sobre o Setor Jovem de Canoas, Maria Rita aponta, entre outras coisas,  que ““era um dos grupos mais articulados. Não só a gente tinha proximidade, lembro que sempre que quando tinhamos um programa minimo, sempre Canoas esteve próximo, eram bons militantes, tolerantes, e dispostos a militância, dispostos a trabalhar, fazer, articular. Por isso, Canoas para nós era uma cidade muito forte no Setor Jovem. Tinham mais povo e vocês aglutinavam, tanto que o Celso se elegeu em 1976 como vereador”.

Sérgio Weigert enfatiza a capacidade e a disposição dos canoenses para “tocar o barco” e resume a relação assim: “a gente era do mesmo time”. “A gente falava preto e os caras entendiam preto.

Via de regra”, prossegue Maria Rita, “ quase sempre, posso dizer sempre, Canoas estava junto conosco. Canoas era do nosso espectro de aliança. Eu lembro mais dos que não eram, era esse pessoal que tinha essa ligação com o Zezinho, com esses da DS, com o Paulão, foram os que foram imediatamente para o PT. Esses grupos ficaram ou até hoje estão. Nós ficamos até 1984 no PMDB”.

Maria Rita identifica uma grande frente que, de certa forma, comandava as ações oposicionistas no Setor Jovem do MDB.

“Agora me lembro do Marcos Klassmann, que teve a campanha Vote contra O Governo, e aquele grupo que funcionava em torno do IEPES, o Belmonte, que também morreu, o mandato do Marcus, o grupo de POA, também tinhamos muita afinidade com eles.

Alguns vinham meio a reboque dessa nossa frente, composta pelo Marcos Klassmann em Porto Alegre, nós, o Celso em Canoas, esse grupo estava no meio de outros que não tinham uma participação maior, mas que fechava conosco, tanto que a gente ganhava coisas, não só perdia. Nessa grande frente, uma característica era que nós tínhamos uma elação razoável com o André Forster , respeitávamos ele, mesmo sendo o André não um militante, e sim um sociólogo. Como ele haviam outros, como o Mário Madureira, da Assembleia, o Miguel Bodea, Cristiano Tatsch, o Cezar Busatto, o Paulinho Loguércio, o Caçapava, intelectuais que eram do GAS [Gabinete de Assessoria Superior] esses eram mais à esquerda do proprio MDB, mas vinculados, eram emedebistas bem posicionados.”

Esses caras de que a Rita está falando, diz Sérgio, eram difíceis, porque os caras sempre tinham um problema que envolvia uma ligação do MDB”.  

Esses intermediários, completa ela,  faziam a ligação com o Simon, e era assim: a gente sempre querendo mais, e eles querendo menos, e se eles cedessem a gente queria mais ainda“ (risos).

Um dos temas com os quais o Setor Jovem se envolvia de maneira decisiva era o do feminismo. Os espaços de militância e mobilização incluiam grupos como o Gêmina, do qual Maria Rita fez parte:

“O Grupo Gêmina entendia que precisávamos dar uma resposta às questões das mulheres, e aí entendemos que tínhamos de construir um discurso feminista, e esse questionamento se deu. É claro que a teoria e a informação nos leva a questionar, mas a prática também nos levava. Então, precisávamos criar um discurso de gênero – que não se chamava assim na época- para a mulher das vilas. E construímos esse discurso. Na época, havia as feministas mais sexistas, que achavam que o tema da mulher era questão só da mulher. E havia o grupo do PC do B, que considerava que a luta das mulheres vinha no bojo da luta de classes, e nós entendíamos que essas coisas se articulavam mas a mulher tinha suas questões específicas. Além disso, havia algo bem legal que os nossos amigos homens em Santa Maria militavam juntos e participavam de toda a articulação, o Adelmo, o Marcos Rolim…..”

 O final da tarde se aproximava. O whatsapp de Maria Rita começa a tocar: o motorista avisa que está esperando lá embaixo. Muito generosamente, ela pede que ele aguarde. Peço, então, que ela conclua com uma visão geral sobre a geração da qual fez parte:

“Essa geração é uma geração de militantes – e que, de alguma maneira, continua militante. As lideranças continuam militantes…..e eu tenho uma militante sindical, sou inquieta”

E Weigert conclui, entre risos: “E continua inquieta até hoje!”

Com isso, concluímos a entrevista. Despedimo-nos. Maria Rita me agradece o convite. Respondo o óbvio: quem tem de agradecer sou eu. Fico por mais uma hora e pouco na companhia do Sérgio e do Fernando, enquanto anoitece na capital e a grande janela virada para a Avenida Ipiranga cobre-se de preto. Resta apenas o reflexo da lâmpada e de nós três, reunidos, conversando para espantar o frio.

Minha carona chega. Quando saio, Sérgio me abraça e diz: “Qualquer hora, passa aqui de novo, tche! E traz teu pai para a gente conversar mais”. Prometo que faremos isso.

Hoje, às 19 horas, na Bamboletras, vou cumprir a promessa.

 

 

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