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Música

15 anos sem Joe Strummer

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O grande Ariano Suassuna definiu-se certa vez como um integrante do que chamou de “patriciado de esquerda”. Segundo o autor do “Romance da Pedra do Reino”, trata-se daquele grupo de pessoas que, tendo nascido em seio aristocrático – patrícios, portanto – estão, por formação e opção pessoais, identificados com as coisas do povo. Patrícios de esquerda foram Getúlio Vargas e Friedrich Engels, Alfonso Reyes e De Gaulle, Dom Pedro II e Olof Palme. E patrício de esquerda foi também Joe Strummer, vocalista e guitarrista do The Clash, falecido a 22 de dezembro de 2002 – há exatos quinze anos, portanto.

Um roqueiro patrício é coisa rara. Um roqueiro patrício de esquerda é coisa raríssima. Um roqueiro patrício, de esquerda e com o talento do inglês John Graham Mellor – filho do diplomata Ronald Mellor e de Ana Mackenzie Mellor, descendente de landlords escoceses, nascido em Ancara, na Turquia, onde o pai representava Sua Majestade – não houve outro. Em seu nível, que é o de Lennon/ McCartney, Bob Dylan, Johnny Cash e Paul Weller, a figura de Joe Strummer é única em todos os sentidos, artísticos e ideológicos. Foi o maior autor de canções políticas da música pop, o que melhor soube casar referências literárias e históricas com o rock, o experimentalista sem medo (os melhores discos do Clash, London Calling e Sandinista, apresentam de hard rock a salsa, passando por valsa, blues, jazz, rockabilly e punk rock) e testemunha mais autorizada de sua geração musical, com a qual teve diversos atritos e incompreensões mútuas, sendo tachado de “plastic cockney” pelos punks do subúrbio de Londres (Strummer falava um Queen’s English perfeito e imitava o sotaque cockney da classe trabalhadora no começo de sua carreira) e de “aristocratazinho” por Jello Biafra, dos Dead Kennedys. As duas coisas, até certo ponto, corretas. Nenhuma delas capaz de diminui-lo.

Em vida, Strummer conheceu tudo. A fama, o respeito artístico, o sucesso comercial, a decadência, o ostracismo e, por fim, a retomada da carreira. Esta foi interrompida pela morte, quando começava a retornar ao showbiz com sua banda de apoio, os Mescaleros, e ensaiava uma reunião com seus ex-companheiros de Clash. Nada disso foi possível. Ficaram as suas letras de rara poesia, seu discurso político escrupulosamente coerente, sua curiosidade insaciável e a lembrança dos amigos, que o tinha como um sujeito agradável, bem humorado, inteligente e humilde.

Na hora da partida, assim lembrou dele o velho parceiro, Mick Jones, emulando com muito acerto a antiga identificação de Strummer com o mundo hispânico – o nosso mundo – que ele tanto amava: “Our friend and compadre is gone. God Bless you Joe”. 

Frase que repetimos agora, quinze anos depois.

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