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Música

35 anos de “Murmur”, disco de estreia do R.E.M

 

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A capa já anuncia a mensagem: um pântano coberto por um musgo branco que parece dar-lhe vida, a sussurrar algo em nossos ouvidos. Assim são os pântanos do Sul dos EUA, imortalizados por tantos artistas na música, na literatura e no cinema. Não é por acaso que tantas histórias de suspense e horror se baseiam ali; é o espaço perfeito para qualquer mistério. Aberto o disco, o mistério continua: as letras são enigmáticas, acompanhadas por um baixo levemente marcado e por uma guitarra de doze cordas, à maneira dos menestreis do velho Sul, e entoadas por uma voz baixa, quase sussurrante –  como um murmúrio.

Foi essa capa que o então iniciante R.E.M colocou nas lojas americanas no dia 12 de abril de 1983. No canto superior esquerdo, o seu título: “Murmur”. Um murmúrio que chegou longe: 35 anos passados, a mensagem enigmática de Michael Stipe, Mike Mills, Peter Buck e Bill Berry ainda emociona.

A capa trazia, ainda, uma marca local inconfundível. O R.E.M vinha de Athens, na Georgia, cidade verdejante e ensolarada, com verões de oito meses, umidade o ano todo e cercada por matas subtropicais e pântanos viscosos, como os que ilustram a capa de “Murmur”. Marca que se percebe nas referências óbvias a Bob Dylan, aos Byrds e ao cancioneiro folk sulista, bem temperadas pelas novidades do pós-punk e da new wave da época. Um encontro difícil, mas profício, entre o antigo e o novo, entre o som da terra do R.E.M. e o que vinha de outras terras.

Para uma banda nascida do cenário alternativo, a recepção de “Murmur” pode ser considerada extraordinária: um lugar no concorridíssimo top 40 da “Billboard” – 36o. lugar – e o prêmio de melhor álbum de 1983 concedido pela “Rolling Stone”, vencendo clássicos como “War”, do U2, e “Thriller”, de Michael Jackson. Até hoje, o disco é um dos favoritos dos fãs do R.E.M, e canções como “Talk about the passion” , “Radio Free Europe” e “Perfect Circle” permaneceram no setlist da banda até o seu fim, em 2011.

O R.E.M nasceu grande, e cresceria ainda mais: chegaria ao topo da “Billboard”, seus clips fariam sucesso na MTV e tocariam para centenas de milhares de apaixonados em megafestivais de rock – inclusive no nosso Rock In Rio – influenciando incontáveis bandas dentro e fora do cenário alternativo da música. Mas tudo começou com “Murmur” – em voz baixa, quase tímida, que chega até nós, 35 anos depois, intacta pelo tempo. E por isso merece ser lembrada neste aniversário.

 

 

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