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#futebol, Esportes

A história da camisa do Corinthians

O clube inglês Corinthian Football Club ostentava, no começo do século XX, um curioso título: o de “maior clube amador do mundo”. Na época, o futebol já se profissionalizara na Inglaterra e as antigas agremiações nascidas sob o amadorismo buscavam maneiras de manter-se no novo sistema. No entanto, o estatuto do clube impedia expressamente a participação de qualquer tipo de copa ou competição que envolvesse prêmios financeiros; a razão, diziam os fundadores, era evitar o estímulo à financeirização do futebol e a perda dos antigos ideais esportivos – presentes, aliás, no próprio nome do clube, uma referência expressa à cidade grega de Corinto, conhecida pelo seu estímulo ao esporte.

A profissionalização do futebol nas Ilhas Britânicas empurrou o Corinthian para longe: o clube passava boa parte do ano em excursos pelo mundo, difundindo o esporte em novos locais. Um desses locais foi a cidade de São Paulo, onde, em 1910, o clube enfrentaria alguns combinados locais, obtendo estrondosas vitórias e chamando a atenção dos então raros praticantes do esporte. Um desses praticantes era um grupo de jovens paulistanos que, em homenagem aos visitantes, fundaria, em 1913, o Sport Club Corinthians Paulista.

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Foto da excursão do Corinthian em São Paulo, em 1910

O Corinthian inglês jogava com calções pretos e camiseta branca, uniforme que, mais tarde, inspiraria o kit da própria seleção inglesa – e, segundo algumas hipóteses, nada menos do que o Real Madrid, após uma série de vitoriosos amistosos na Espanha. Ao fundar a versão brasileira, os corinthianos de São Paulo tentaram reproduzir o uniforme dos seus inspiradores.  No entanto, devido à dificuldade de encontrar tecido preto em São Paulo por preços razoáveis, a solução foi fazer um kit todo branco. É o que se vê, por exemplo, nesta foto, logo abaixo, do time do Corinthians de 1914.

Resultado de imagem para foto corinthians 1914

O uso dos calções brancos era uma imposição da necessidade: o objetivo era mesmo homenagear o Corinthian inglês em tudo, literalmente dos pés à cabeça. Assim, quando o preço do tecido preto começou a cair no Brasil, por volta da virada da década de 1910 para 1920, o Corinthians Paulista passou a fabricar calções pretos, como seus mestres ingleses. É o que se vê nesta foto, de 1924:

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A partir daí, a combinação corintiana nunca mais mudaria. O mesmo não pode-se dizer do seu inspirador:  o Corinthian inglês unir-se-ia, em 1939, ao Casuals Football Club, outro time amador e formaria o Corinthian-Casuals Football Club – que até hoje existe. A camiseta do Casuals, rosada, foi a escolhida pelo novo clube, que ainda a utiliza em seus jogos. Por ironia do destino, aquele uniforme branco e preto, que tanto impacto teve no mundo do futebol, e que foi sinônimo de espírito desportivo desinteressado, permaneceu vivo somente nos discípulos do velho Corinthian – em particular, no único discípulo que levou seu nome. Talvez seja isso que o Hino do Corinthians queira dizer quando diz que seu “passado é uma bandeira”.

 

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