Esportes, Histórias do esporte

A noite em que Renato Portaluppi conheceu Maradona

Fazia muito frio em Porto Alegre naquela noite de 26 de junho de 1980. Apenas 11.001 gremistas compareceram ao Estádio Olímpico para assistir a um amistoso, contra o Argentinos Juniors, que comemorava a reinauguração da velha casa tricolor. Foram dois anos de reformas gerais, culminando na conclusão do anel superior, velho sonho dos torcedores. Muito pouco para uma noite histórica. E histórica não só pela reabertura do estádio, mas também pela presença em campo de um dos maiores jogadores de todos os tempos – um jogador que decididamente merecia um público muito maior para acompanha-lo: o argentino Diego Armando Maradona. 

Na época, Maradona era ainda uma grande promessa – mas uma promessa que atraía olhares: onde ponteava a camiseta alvi-rubra do Juniors – apelidado “El Bicho” pelos seus torcedores -, corriam atrás as câmeras, os microfones e os olhares atentos dos torcedores, que brilhavam com a mágica habilidade do menino pobre de Villa Fiorito, no conurbano de Buenos Aires. Não foi diferente em Porto Alegre: a imprensa local noticiou extensamente  a presença de Maradona e o quanto os argentinos esperavam dele para a próxima Copa do Mundo, em 1982.

O Grêmio, por sua vez, trazia uma equipe mista. Alguns titulares, como Leão, Newmar, Vítor Hugo e Baltazar, dividiam espaço com jovens promessas como o meio-campista Jorge Leandro, que vinha sendo muitíssimo elogiado pela imprensa. Outra promessa acabara de desembarcar do Esportivo de Bento Gonçalves, trazido pela mão do treinador Valdir Espinosa, responsável pela casamata naquela noite. Como se pode imaginar, falamos de Renato Portaluppi. 

Renato havia estreado pelo Tricolor onze dias antes, em um jogo contra o Comercial, no Mato Grosso do Sul. Aos 17 anos, já chamava a atenção pela velocidade, pela força física e pela habilidade, características que viriam a marcar sua trajetória como jogador. Na partida daquela noite, foi escalado como ponta-direita do ataque comandado pelo grande Baltazar e pelo excelente ponta-esquerda baiano Jésum. Atrás deste trio ofensivo, vinha Jorge Leandro, responsável pela armação, devidamente protegido pelos volantes Vítor Hugo e Kiese. 

Os relatos da partida dão conta de uma excelente atuação de Jorge Leandro, autor do único gol da partida aos 82 minutos, e de uma destacada participação de Renato, puxando contra-ataques nas costas dos laterais argentinos. Quanto a Maradona, alternou lampejos de jogadas brilhantes com momentos de timidez, provavelmente receoso da marcação implacável de Vítor Hugo, destacado para anulá-lo. 

Ao final do jogo, após a troca de camisetas, o então jovem Maradona vestiu o manto tricolor e posou para a foto que ilustra esse texto. Quarenta anos depois, o outro jovem presente naquela noite, Renato Portaluppi, vestiria a camiseta 10 da seleção argentina, que aquele menino de Villa Fiorito viria a consagrar. De certa forma, retribuiu a gentileza. 

Luiz Ávila / Agencia RBS

 

Grêmio Imortal: Pequenas Histórias
Maradona cercado por jogadores do Grêmio – incluindo Renato à direita.

 

Arquivo:1980.06.26 - Grêmio 1x0 Argentinos Juniors - Foto 2.JPG

Arquivo:Imagem em destaque - 25 de junho.jpg

 

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