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Resenhas

Esta categoria contém 42 posts

O Quixote de Will Eisner

  Sobre “Dom Quixote de La Mancha”, de Miguel de Cervantes, já se debruçaram cineastas, pintores, desenhistas, músicos e muito mais. No campo dos quadrinhos, coube a Will Eisner, autor do clássico personagem “The Spirit”, elaborar a versão em arte sequencial – para muitos, a versão definitiva em arte sequencial – da história do Cavaleiro … Continuar lendo

“Monsieur Pain”, de Roberto Bolaño

“Monsieur Pain” é um dos primeiros romances do escritor chileno Roberto Bolaño (1953-2003). Escrito no começo dos anos 1980, intitulava-se inicialmente “A trilha dos elefantes” e acabou por receber o nome do seu protagonista, Pierre Pain, um francês que vive na Paris pré-Segunda Guerra e dedica-se à prática do mesmerismo – nome dado às técnicas … Continuar lendo

“Uma pipa de breve sentimento”, de Paulo Ritter

  Conheci Paulo Ritter em fins de 2009. Era uma tarde quente de verão metropolitano e eu havia sido designado para entrevistá-lo em seu gabinete no Conjunto Comercial, onde ele comandava a secretaria de Educação de Canoas. Fui anunciado pela secretária e entrei, munido de algumas perguntas prontas e o indispensável bloco de anotações. O … Continuar lendo

“Das Booty”, de Simon Pringle

A biografia do poeta Bruno Tolentino é, ainda hoje, um mistério para muita gente. Desde o seu retorno ao Brasil, em 1995, muito se especulou sobre as razões que o fizeram abandonar o país, nos anos 60, e quais atividades desempenhou na Europa. Apesar de reclamar da recorrência do tópico, ele próprio não parecia surpreso com … Continuar lendo

Lançamentos de Direito Previdenciário

Os temas de Direito Previdenciário vêm despertando cada vez mais o interesse dos estudantes de Direito. É natural: a transformação da pirâmide etária brasileira vem aumentando as demandas na área e, com elas, também as possibilidades profissionais. O problema é que nem sempre as faculdades do país acompanham essa tendência, faltando em muitas delas até … Continuar lendo

“As vantagens do pessimismo”, de Roger Scruton

O sentido normalmente empregue da palavra “otimismo” dificilmente gerará oposição: quem, afinal de contas, pode ser contra encarar as dificuldades da vida de uma maneira positiva, esperando que tudo corra da melhor forma possível? Ninguém, por certo. O problema é que este não é o único tipo de otimista na praça: além destes sujeitos que … Continuar lendo

“A Imaginação Liberal”, de Lionel Trilling

  Para bem falarmos sobre “A Imaginação Liberal”, do crítico literário americano Lionel Trilling, devemos sublinhar o que o autor quis dizer com “liberal” – afinal, como se sabe, a expressão tem um sentido bem particular no vocabulário político dos EUA. Por isso, nada melhor do que dar voz a um liberal autêntico: o ex-presidente … Continuar lendo

“Seis meses em 1945”, de Michael Dobbs

A imagem de Josef Stalin, Franklin Delano Roosevelt e Winston Churchill reunidos no pátio do Palácio Livadia, na cidade de Yalta, numa tarde fria de fevereiro de 1945, é parte do quadro de honra da inconografia da Segunda Guerra Mundial. E não é sem razão: ali, no popular balneário soviético situado às margens do Mar Negro, os … Continuar lendo

Inimigos da política

Se tomarmos o período entre 1945 e 1989 – isto é, os anos seguintes ao fim da Segunda Guerra – será difícil encontrar outro país que tenha produzido tantos pensadores influentes como a França. Uma mera passagem de olhos pelos nomes que apareceram nesta época o demonstra claramente: Sartre, Camus, Merleau-Ponty, Foucault, Althusser. Foi uma verdadeira … Continuar lendo

Reflexões sobre o ódio

  “Do ódio”, de Gabriel Liiceanu, é uma leitura especialmente importante para este início de 2016. Explico: 2015 foi um ano marcado pelo ódio no Brasil. E não falo aqui da quantidade de pessoas que se odiaram umas às outras no país, o que não se pode medir, e sim de quão discutido foi o … Continuar lendo

Estudo de uma tensão

O filósofo romeno Constantin Noica dizia que a filosofia só era possível na cidade, espaço do convívio com as pessoas nas ruas, no mercado, no vai-e-vem da experiência humana. Será difícil discordar deste ponto de vista. O problema é que a cidade, que cria as condições para o filósofo existir, não costuma simpatizar muito com ele. … Continuar lendo

“Canadá”, de Richard Ford

Richard Ford é um dos mais celebrados romancistas norte-americanos da atualidade. Nascido no Mississipi, em 1944, um dos estados mais pobres do país, corroído pela violenta história de discriminação racial , Ford não tem – ao contrário de outros filhos da região – maior interesse pelo que se chama de “temática sulista” na literatura: ao … Continuar lendo

Viagem através da estepe

Quando Tchékhov publicou a novela “A Estepe”, sua então incipiente obra consistia apenas em alguns contos curtos publicados em revistas literárias, elaborados nos intervalos do exercício de sua profissão, a medicina. Era, portanto, a sua primeira narrativa mais longa. E ele não a poupou daquela mirada irônica tão característica sua, que fizeram-lhe a fama como … Continuar lendo

Para entender o conservadorismo

O pensamento conservador vem conquistando cada vez mais espaço no mercado editorial brasileiro. Hoje é possível encontrar nas livrarias, em edições novas e muito bem preparadas, autores das mais variadas tendências do pensamento de direita, de Oswald Spengler a Eric Voegelin, de Michael Oakeshott a Alexander Dugin, de Carl Schmitt a Christopher Dawson. Esta notícia deve … Continuar lendo

“A política externa norte-americana e seus teóricos”, de Perry Anderson

“A política externa norte-americana e seus teóricos” (Boitempo, 199 páginas, tradução de Georges Kormikiaris) é o mais recente livro do historiador britânico Perry Anderson. Trata-se de uma coleção de artigos publicados na “New Left Review” sobre a história da política externa dos EUA através dos homens que a forjaram – isto é, os pensadores e os … Continuar lendo

O cristianismo, segundo Kautsky

Confesso: quando tomei A Origem do Cristianismo, de Karl Kaustky (Editora Civilização Brasileira, 560 páginas) nas mãos pela primeira vez, pensei estar diante de um descendente direto dos mais velhos e requentados clichês marxistas acerca da religião. Esperava, já conformado, alguma palavra de ordem, algum reducionismo, algum discurso batido. Meu preconceito tinha como alvo o autor: tratava-se … Continuar lendo

Nova edição de “Monções”, de Sérgio Buarque de Holanda

“Monções” marca um momento de transição na carreira intelectual de Sérgio Buarque de Holanda. Publicado em 1945 – nove anos após o clássico “Raízes do Brasil”- , ali o jovem ensaísta, jornalista e crítico literário dos anos 20, 30 e começo dos 40 começa a dar lugar ao historiador e acadêmico, autor de obras como “Caminhos e … Continuar lendo

Morte e imortalidade

O problema da morte parece ausente da filosofia contemporânea – ao menos da filosofia que enche as salas de aula das faculdades, as páginas dos manuais nos capítulos de “filosofia contemporânea” e os cadernos de cultura dos jornais mais prestigiados. Não é o único: estão também ausentes temas como Deus, a eternidade e, às vezes, … Continuar lendo

Cinco séculos de Santa Teresa D’Ávila

No seu ensaio “Defesa do teólogo frente ao místico”, o filósofo espanhol José Ortega y Gasset diferenciava os dois da seguinte maneira: enquanto a função do teólogo era falar sobre Deus, a do místico era calar-se sobre o mesmo assunto. Vem daí a dificuldade em compreender muitos dos escritos dos grandes mestres da mística: extasiados … Continuar lendo

“O Túnel”, de Ernesto Sábato

Quando saíram os primeiros necrológios lembrando os quatro anos do falecimento de Ernesto Sábato, ocorrido em 30 de abril último, falou-se da lamentável perda do “romancista argentino Ernesto Sábato”. A julgar pelo volume de produção do autor, poderíamos concluir que o argentino de Rojas nascido em 1911 foi, antes de tudo, um ensaísta: em seus … Continuar lendo

“A montanha que devemos conquistar”, de István Mészàros

Acaba de ser publicado no Brasil o mais recente livro de István Mészáros, “A montanha que devemos conquistar”. É um título que chama a atenção na livraria. Não é comum encontrar obras com um tom convocatório tão otimista e encorajador, exceto, talvez na prateleira de auto-ajuda, onde Mészáros não gostaria que suas obras fossem colocadas. … Continuar lendo

Cartas de J.R.R Tolkien

Toda edição de obras completas de um escritor famoso traz um volume dedicado à sua correspondência. É natural. Tantas são as interpretações, boas e más, a que um clássico está sujeito – é clássico justamente por isso, porque permite interpretações – que, no meio delas, é importante ouvir a voz do autor para coibir certos … Continuar lendo

Ler Tintim hoje

A fama de Tintim entre os anos 40 e 60 – isto é, no auge de sua popularidade – , fez com que o presidente Charles de Gaulle fosse obrigado a admitir que, no estrangeiro, ele era o único francófono capaz de rivalizar com ele. Talvez fosse um excesso do presidente francês: Tintim era muito … Continuar lendo

O humanista Edward Said

“Humanismo e crítica democrática” foi o último livro concluído pelo crítico e ensaísta palestino Edward Said antes de sua morte, em 2003. Não fosse o seu tamanho relativamente diminuto (apenas 183 páginas) e o fato de ser uma coletânea de ensaios e palestras, poderíamos dizer, sem receio, que é a obra mais representativa dos fundamentos … Continuar lendo

Almoços com C.S. Lewis

Quem abre Conversando com C.S. Lewis (editora Pórtico, tradução de Sandra Martha Dolinsky) pensando que irá encontrar, como o título sugere, uma longa entrevista com o autor de Crônicas de Nárnia sairá decepcionado: nas 223 páginas que compõem o volume a voz de Lewis aparece poucas vezes e sempre entre aspas em trechos cuidadosamente escolhidos pelo autor, Alistar McGrath, professor de … Continuar lendo

A Joana D’Arc de Bernanos

“Joana, relapsa e santa” dá prosseguimento à iniciativa da É Realizações em publicar a obra de Georges Bernanos no Brasil. Mais conhecido pelos seus romances, como “Sob o Sol de Satã” e “Diário de um Pároco de Aldeia”, o escritor francês aparece aqui como o polemista que fustigava com igual fervor aos comunistas e aos … Continuar lendo

De santos e sábios

Os dois tipos básicos de leitor que acompanha os lançamentos literários – o acadêmico especializado e o competente aficcionado que Borges qualificou certa vez, falando de si mesmo, de “hedonista” – podem divergir em pontos fundamentais de sua atitude perante o texto, mas provavelmente concordarão sobre a relevância e a qualidade de uma obra como … Continuar lendo

Rumo à Estação Finlândia

Um trem vindo da Alemanha chegou à estação Finlândia, na cidade russa de São Petersburgo, no dia 3 de abril de 1917. Entre os seus passageiros encontrava-se Vladimir Ilitch Ulianov, mais conhecido pelo nome de Lênin. Naquela altura, o líder bolchevique já não se via como o indivíduo Vladimir Ilitch Ulianov, com desejos, fraquezas e … Continuar lendo

O verdadeiro Ratzinger

Lançado em 1968, Introdução ao cristianismo é um dos títulos mais lidos e influentes da teologia da segunda metade do século XX. Não depende, portanto, de uma circunstância favorável – um “gancho” – para ser lembrado e indicado por este blog. No entanto, devemos admitir que esta indicação é, sim, animada pelo momento – e o … Continuar lendo

Junger, guerreiro e artista

  Ex-militar condecorado pela sua participação na 1ª. Guerra Mundial e escritor premiadíssimo, o alemão Ernst Junger (1896-1999) teve uma obra e uma existência marcadas pelo oscilar entre a atitude contemplativa de esteta e artista e o engajamento destemido de guerreiro. Demonstram-no suas duas maiores obras, “Tempestades de Aço”, relato de suas experiências na Primeira … Continuar lendo

A vida intelectual

Publicado pela primeira vez em 1921, “A Vida Intelectual”, de A. D. Sertillanges é uma das mais conhecidas obras de introdução aos estudos superiores já escritas. Sucesso nos EUA e na Europa, o livro (no original francês) teve boa circulação nos meios católicos brasileiros décadas atrás e ainda pode ser encontrado em antigas bibliotecas. Felizmente, … Continuar lendo

“O Hobbit” em quadrinhos

Adaptações de obras para outras mídias têm o condão de, salvo em alguns poucos casos, desagradar aos fãs. O fenômeno é geral, e um exemplo particular temos em “O Hobbit”, de J.R.R Tolkien, transposto recentemente para o cinema, que provocou desagrado em grande parte dos aficcionados pela obra do escritor inglês. Os motivos elencados são … Continuar lendo

Nova tradução de “Dom Quixote”

“Dom Quixote” é um dos livros mais traduzidos e adaptados do mundo. A primeira edição em português data de 1794: dentre as recentes, destaca-se a de Carlos Nougué e José Luiz Sanchez, que logrou reproduzir, muito competentemente, o sabor da prosa original.  Este é, aliás, o desafio a ser enfrentado por todo tradutor do Quixote … Continuar lendo

Foucault e o Irã

    “Foucault e a revolução iraniana” (É Realizações, 480 páginas) é um livro que irá surpreender (e decepcionar) muita gente nos bancos acadêmicos do país. O propósito de seus autores –  a historiadora iraniana Janet Afary e o cientista político americano Kevin B. Anderson – é analisar um evento muito pouco conhecido da biografia … Continuar lendo

Teoria da argumentação jurídica

  O Brasil é um país carente de boas traduções. Muito da produção científica dos principais centros culturais do mundo demora muito tempo para cá chegar. Em muitos casos simplesmente não chega, obrigado o pesquisador e o estudante a importá-la. Por essa razão, a publicação de Teoria da argumentação jurídica, de Robert Alexy (Forense, 350 … Continuar lendo

Um livro de professor

Um dos meus momentos preferidos da obra de José Ortega y Gasset é o trecho de “A Rebelião das Massas” em que ele descreve as principais características dos acadêmicos de nosso tempo: “O especialista sabe muito bem seu íntimo rincão do universo, mas ignora basicamente todo o resto”. Passadas oito décadas da publicação do clássico … Continuar lendo

O Brasil Holandês

Estudar o período em que os holandeses estiveram no Nordeste sempre deu margem aquela velha indagação que todo brasileiro já se fez ao menos uma vez: teria sido melhor se o Brasil não tivesse sido colonizado pelos portugueses? A razão para a dúvida está na idéia de que, sob o governo de Maurício de Nassau, … Continuar lendo

Ensinando a ler

Como Ler Livros, o clássico guia de leitura do educador americano Mortimer Adler (1902-2001) e de seu colega Charles Van Duren acaba de ganhar uma nova edição brasileira através da iniciativa da É Realizações, que vem promovendo a publicação em solo pátrio, muitas vezes de forma pioneira, de livros dedicados à alta cultura. A primeira … Continuar lendo

O homem certo, no lugar certo, na hora certa

O Prêmio Nobel merece todas as críticas que se lhe fazem. Dizem que seus critérios são escusos, que não premia sempre os melhores, que atende a interesses outros que não os puramente literários. Dizem também que está sujeito a ventos que vêm da política, da economia e até da psicologia, quando os julgadores (europeus, na … Continuar lendo

Surpresas de Vieira

Ao lermos um destes Sermões de Padre Antonio Vieira que a Loyola vem publicando em edição especial há mais ou menos um ano, somos surpreendidos de modo especial não pela brilhante oratória do jesuíta luso-brasileiro, nem pela originalidade de suas idéias ou pelos jogos retóricos de que faz uso. Estas são coisas que já esperamos … Continuar lendo

O sonho de Will Eisner

Parece que as editoras brasileiras estão redescobrindo Will Eisner. Nos últimos dois anos, várias de suas graphis novels foram republicadas em edições grandes e luxuosas: Um Contrato com Deus, Fagin, O Complô, Pequenos Milagres, Avenida Dropsie e até o tratado Narrativas Gráficas estão de volta à praça, fazendo a alegria do fã de quadrinhos que, assim como este … Continuar lendo

Lucian Blaga

                                                            A palavra “Romênia” não diz muito aos brasileiros. No máximo, chama a atenção pela raiz “Rom”, indicativo de uma ligação ancestral com o Império Romano e, conseqüentemente, com a cultura latina da qual também descendemos. Uma olhada no mapa nos mostra que é também o único de sua região, os Bálcãs, a … Continuar lendo

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